Cooking Oils·8 min de leitura

Quais óleos não são óleos de sementes?

Azeite de oliva, óleo de abacate, dendê e óleo de coco não são óleos de sementes. Tabela com cada óleo de cozinha classificado pela parte da planta.

Quais óleos não são óleos de sementes?

Quais óleos não são óleos de sementes

O azeite de oliva, o óleo de abacate e o azeite de dendê não são óleos de sementes: os três saem da polpa de um fruto, e não de uma semente. O óleo de coco, os óleos de castanhas como nozes e amêndoas e todas as gorduras animais — manteiga, banha, sebo — também ficam de fora da categoria como ela costuma ser usada, e a maioria das listas deixa o óleo de amendoim de fora também.

Vale dizer uma coisa logo de início. "Óleo de sementes" não é um termo botânico nem uma categoria regulada: nenhum órgão de vigilância sanitária a define ou exige o termo num rótulo. É um agrupamento coloquial, e descreve muito melhor como o óleo é extraído e em que quantidade é consumido do que a parte da planta de onde veio. Por isso duas listas quase nunca batem, e vários itens da tabela aparecem como discutíveis.

A lista que mais circula cita oito: canola, milho, algodão, soja, girassol, cártamo, semente de uva e farelo de arroz. Comparada com um livro de botânica, ela se desfaz pelas duas pontas ao mesmo tempo.

Cada óleo de cozinha, classificado

A coluna da parte da planta é botânica; a seguinte traz o uso popular.

ÓleoParte da plantaÉ óleo de sementes?Por quê
SojaSemente de leguminosaSimO arquétipo: larga escala, solvente, muito ácido linoleico
MilhoGérmen de um grãoSim, por convençãoFração de um grão, não semente, mas está em todas as listas
CanolaSementeSimSemente de verdade e muito refinada, embora predomine a gordura monoinsaturada
GirassolSemente dentro de um fruto secoSimVendido em versões ricas em linoleico e em oleico, com rótulos quase idênticos
AlgodãoSementeSimSemente de verdade e subproduto de uma cultura têxtil
CártamoSementeSimA versão rica em linoleico é o óleo com mais ômega-6 do mercado
Semente de uvaSemente de um frutoSim, discutidoSemente literal; defendido como subproduto do vinho
Farelo de arrozCamadas externas e gérmen do grãoDiscutidoVem do grão, não de uma semente
GergelimSementeDiscutidoTradicional, muitas vezes não refinado e usado às colheradas de chá
AmendoimSemente de leguminosaDiscutidoMesma estrutura da soja; fica de fora porque é chamado de castanha
Linhaça, chia, abóbora, mostardaSementeSim no sentido literal, quase nunca nas listasPrensados a frio, vidros pequenos, nunca óleos industriais de fritura
Nozes, amêndoa, castanha-de-cajuSemente dentro de uma drupaNão, por convençãoChamadas de castanhas; a noz tem tanto linoleico quanto a soja
OlivaPolpa do frutoNãoPrensa-se a polpa da azeitona, não o caroço
AbacatePolpa do frutoNãoPrensado da polpa do fruto
Dendê (palma)Polpa do frutoNãoSai da polpa do fruto do dendezeiro
PalmisteSementeBotanicamente sim, nunca nas listasA semente de dentro do mesmo fruto, mas rica em gordura saturada
BabaçuSementeBotanicamente sim, nunca nas listasSemente de palmeira, também rica em gordura saturada
CocoPolpa seca da semente, numa drupaBotanicamente sim, nunca nas listasMais perto de um óleo de sementes que o azeite, e ninguém o classifica assim
Manteiga, banha, seboAnimalNãoNão são óleos vegetais

A categoria não segue a botânica

O óleo de soja lidera todas as listas e vem de uma semente de leguminosa, a mesma estrutura do amendoim que essas listas excluem. O de milho é prensado do gérmen de um grão, e o de farelo de arroz das camadas externas de outro; nenhum dos dois é semente no sentido em que qualquer pessoa usa a palavra. Até o girassol é impreciso: o que você compra no pacote é um fruto seco de uma única semente, com a semente dentro da casca.

A categoria vaza para o outro lado também. Linhaça, chia, abóbora e mostarda dão óleos de sementes em qualquer leitura literal e quase nunca aparecem nas listas. O óleo de amêndoa vem da semente dentro de uma drupa, a mesma estrutura que faz do coco um coco.

Nada disso torna a categoria inútil. Torna-a uma categoria construída sobre outra coisa que não a anatomia da planta, e descobrir que coisa é essa é a resposta inteira.

Por que oliva, abacate e dendê são realmente diferentes

São os casos mais limpos e compartilham um mecanismo: o óleo está na parte carnosa do fruto, então dá para separá-lo mecanicamente — moendo, batendo e centrifugando — sem solvente. Um azeite extravirgem é, no fundo, o suco da polpa; o óleo de abacate é obtido de forma parecida, e o dendê sai da polpa alaranjada do fruto.

O dendezeiro é onde a fronteira fica visível, porque um mesmo fruto dá dois óleos. O de palmiste é prensado da semente de dentro, o que faz dele um óleo de sementes no sentido literal, ainda que seja rico em gordura saturada e nunca apareça em lista nenhuma. O coco levanta o mesmo problema: a polpa branca é tecido da semente dentro de uma drupa.

O que de fato os separa dos oito é a composição: oliva e abacate são dominados por gordura monoinsaturada, coco e dendê por gordura saturada, e nenhum carrega muito ácido linoleico. O gráfico de ômega-6 óleo por óleo põe os números lado a lado.

Os quatro óleos que geram discussão

O óleo de gergelim é óleo de semente por definição e quase nunca é tratado como tal. É usado como tempero, em quantidade pequena, muitas vezes sem refino, e tem séculos de uso culinário. A exceção é cultural, não química.

O de semente de uva é inequivocamente um óleo de sementes, às vezes defendido por ser subproduto do vinho. Subproduto ou não, é dos óleos com mais ácido linoleico à venda.

O de farelo de arroz vem das camadas retiradas no polimento do arroz, então tudo depende de onde você traça a linha em volta de um grão.

O óleo de amendoim é o caso mais afiado. O amendoim é uma semente de leguminosa, com a mesma estrutura da soja, e o óleo refinado é comum em fritura comercial. Fica de fora da maioria das listas por um acidente de linguagem: nós o chamamos de castanha.

Tirando a botânica do caminho, quatro características fazem quase toda a triagem. Esses óleos são extraídos em escala industrial, em geral com solvente e depois refinados, clarificados e desodorizados. São ricos em ácido linoleico, o principal ômega-6 da alimentação. São culturas baratas, e por isso dominam a fritura e a comida embalada. E ficaram abundantes há pouco tempo, de modo que a quantidade numa dieta média mudou bastante em um século.

É uma definição coerente. Só não é a que a palavra "semente" sugere, e sozinha não diz nada sobre esses óleos fazerem mal. Essa pergunta é outra e está em disputa: quais óleos de cozinha causam inflamação reúne o que os ensaios e os estudos de coorte mostram, e o caso contra os óleos de sementes, checado examina os argumentos um a um.

O que o rótulo esconde

No Brasil o ingrediente pode aparecer só como "óleo vegetal" ou "gordura vegetal", sem dizer qual. Como a soja é o óleo mais barato e disponível, na prática costuma ser ela. Num produto importado da União Europeia a regra é mais exigente, e o rótulo precisa trazer a origem específica, como "óleos vegetais (colza, palma)".

A rotulagem frontal da ANVISA, com a lupa, também não ajuda aqui: ela sinaliza excesso de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio, não o tipo de óleo. O selo não diz de que parte da planta o óleo veio.

Em restaurante, lanchonete e pastelaria não existe rótulo nenhum, e é aí que costuma estar a maior parte do consumo: como evitar óleos de sementes comendo fora.

Se a fronteira importa para você

Com a definição clara, a pergunta útil passa a ser a quantidade, não a filiação. Uma colher de chá de óleo de gergelim e o que um pastel absorve na fritura não são a mesma exposição, diga o que disser a categoria. Fritura e comida embalada concentram o volume, então é ali que uma mudança pode ser perceptível.

Se isso se traduz em como você se sente, só o seu próprio registro responde. É para isso que o NutriAI serve: você fotografa a refeição, recebe uma nota estimada de potencial inflamatório, anota os sintomas depois e, ao longo de semanas, vê se aparece um possível padrão. Dois limites honestos: óleo adicionado é o mais difícil de estimar a partir de uma foto, porque é absorvido, não aparece e depende da cozinha; e um padrão identificado é uma correlação nos seus próprios dados, não um diagnóstico. O aplicativo não é um dispositivo médico, e sintomas que persistem valem uma consulta com médico ou nutricionista.

Em que isto se baseia

  • Referências botânicas sobre a estrutura de frutos, drupas, leguminosas, grãos e sementes em plantas alimentícias
  • Bases de dados oficiais e acadêmicas de composição de alimentos com o perfil de ácidos graxos de óleos comestíveis
  • Literatura de processamento de óleos sobre prensagem mecânica, extração por solvente e refino, clarificação e desodorização
  • Normas brasileiras e da União Europeia de rotulagem de alimentos quanto à declaração de gorduras e óleos na lista de ingredientes
  • Padrões internacionais para óleos vegetais nomeados, que os definem individualmente e não como categoria de óleos de sementes

Perguntas frequentes

O azeite de oliva é óleo de sementes?
Não. Ele é prensado da polpa da azeitona, que é um fruto, e o caroço é descartado em vez de prensado. Além disso é dominado por gordura monoinsaturada e não por ácido linoleico, então fica fora da categoria tanto pela botânica quanto pela composição.
O óleo de coco é óleo de sementes?
No uso comum, não, embora a botânica complique. O coco é uma drupa e a polpa branca prensada é tecido da semente, o que tecnicamente aproxima o óleo de coco de um óleo de sementes mais do que o azeite de oliva. Nenhuma lista o trata assim porque ele é quase todo gordura saturada e traz pouquíssimo linoleico.
O azeite de dendê é óleo de sementes?
Não. O dendê sai da polpa alaranjada do fruto do dendezeiro, não da semente. O óleo de palmiste, esse sim, vem da semente do mesmo fruto e seria um óleo de sementes no sentido literal, mas quase nunca é chamado assim porque é rico em gordura saturada.
O óleo de amendoim é óleo de sementes?
Depende da lista. O amendoim é uma semente de leguminosa, com a mesma estrutura da soja, então uma leitura literal diz que sim. A maioria das listas o exclui porque chamamos amendoim de castanha, o que é uma distinção de linguagem e não de planta.
Existe definição oficial de óleo de sementes?
Não. As normas definem cada óleo vegetal pelo nome e fixam requisitos para ele, mas nenhum órgão define uma categoria chamada óleos de sementes nem exige o termo na embalagem. É por isso que a resposta muda conforme a lista que você lê.

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