Cooking Oils·9 min de leitura

Tabela de óleos de sementes: ômega-6 óleo a óleo

Tabela de óleos de sementes com números reais: ácido linoleico, oleico, gordura saturada e ALA por 100 g em 18 óleos, com ponto de fumaça e uso típico.

Tabela de óleos de sementes: ômega-6 óleo a óleo

Ômega-6 de 18 óleos, do maior para o menor

Óleo de semente não é uma coisa só: cártamo e semente de uva ficam por volta de 70 a 75 g de ômega-6 por 100 g, enquanto a canola fica perto de 19 e o girassol alto oleico perto de 9. A tabela traz o ácido linoleico (o ômega-6 principal), o oleico, a gordura saturada e o ácido alfa-linolênico (ALA, o ômega-3 vegetal) em gramas por 100 g de óleo, com o ponto de fumaça aproximado e o jeito como cada óleo realmente entra na comida.

ÓleoLinoleico (ômega-6)OleicoSaturadaALA (ômega-3)Ponto de fumaçaComo costuma ser consumido
Cártamo, alto linoleico75 g13 g6 g0 g~230 °CMolhos de salada; pouca quantidade
Semente de uva70 g16 g10 g0,1 g~215 °CMolhos e refogados rápidos; pouca quantidade
Girassol, alto linoleico66 g20 g10 g0 g~225 °CFritura e salgadinhos; pode ser muito
Cânhamo56 g11 g10 g17 g~165 °CCru, sem aquecer; pouco
Milho54 g28 g13 g1 g~230 °CFritura e margarina; pode ser muito
Nozes (oleaginosa)53 g23 g9 g10 g~160 °CPara finalizar o prato; pouco
Algodão52 g18 g26 g0,2 g~215 °CFritura industrial e biscoitos; quase invisível
Soja51 g23 g15 g7 g~230 °CO óleo padrão da cozinha brasileira; muito
Semente de abóbora50 g30 g18 g0,5 g~160 °CPara finalizar o prato; pouco
Gergelim refinado41 g40 g14 g0,3 g~210 °CRefogados e tempero; pouco a moderado
Farelo de arroz34 g39 g20 g1,6 g~230 °CFritura; moderado
Amendoim (leguminosa)32 g46 g17 g0 g~230 °CFritura; moderado
Canola / colza19 g63 g7 g9 g~205 °CCozinha geral e bolos; muito
Linhaça14 g19 g9 g53 g~105 °CNunca no fogo, regado por cima; pouco
Abacate (fruto)13 g68 g12 g1 g~250 °CCalor alto; moderado
Azeite extravirgem (fruto)10 g71 g14 g0,8 g~190 °CQuase tudo; costuma ser caro por aqui
Girassol, alto oleico9 g82 g8 g0 g~225 °CFritura industrial e salgadinhos; pode ser muito
Coco (semente do fruto)2 g6 g87 g0 g~175 °CDoces e refogados; pouco a moderado

Cinco linhas estão ali só para comparação e não são óleos de semente: noz é oleaginosa, amendoim é leguminosa, azeite e abacate saem da polpa do fruto e o de coco vem da semente dentro do fruto. O texto Which Oils Are Not Seed Oils? A Clear List traça essa fronteira com mais cuidado, porque ela é menos nítida do que a maioria das tabelas admite.

O que cada coluna quer dizer

Todos os números são gramas por 100 g de óleo e, como óleo é praticamente gordura pura, funcionam também como porcentagem. As quatro colunas não somam 100 porque cada óleo carrega ainda ácidos graxos menores, que só poluiriam a tabela sem mudar o quadro.

O ácido linoleico é o ômega-6 que está no centro da discussão. Ele é essencial, ou seja, seu corpo não fabrica, e é a matéria-prima do ácido araquidônico, que fica acima de várias moléculas de sinalização ligadas à inflamação. O oleico é a gordura monoinsaturada que domina no azeite, no abacate, na canola e nas variedades alto oleico. A coluna de saturada junta palmítico, esteárico, láurico e companhia.

O ALA é o ômega-3 vegetal e não substitui o EPA e o DHA da sardinha ou do atum: o corpo converte só uma fração modesta e variável. É por isso que o óleo de linhaça brilha naquela coluna sem ser troca equivalente para quem quer ômega-3 de peixe. A razão entre as duas colunas de ômega é o número que muita gente veio procurar, e é uma métrica genuinamente contestada, como está detalhado em Which Cooking Oils Cause Inflammation? The Evidence.

A variação dentro da categoria é maior que a categoria

Leia a tabela de cima a baixo e a expressão "óleo de semente" deixa de descrever uma composição. Cártamo com 75 e girassol alto oleico com 9 são os dois óleos de semente. A canola é um óleo de semente predominantemente monoinsaturado, com mais ômega-3 do que quase qualquer alimento sem peixe de uma cozinha comum. O de algodão é um óleo de semente com bastante gordura saturada.

Duas sementes explicam quase toda a confusão. Girassol e cártamo são vendidos em versão alto linoleico e alto oleico, vindas de cultivares diferentes da mesma planta, e os rótulos são praticamente iguais. Um pacote de salgadinho que diz "óleo de girassol" pode ser qualquer uma das duas. Na fritura industrial o alto oleico vem ganhando espaço, porque aguenta melhor o reaquecimento.

O que uma porcentagem alta prova e o que não prova

Um número alto de linoleico diz como o óleo é composto. Sozinho, ele não prova que aquele óleo faz mal, e essa é justamente a parte que as tabelas costumam pular.

O argumento mecanístico existe: mais linoleico na dieta significa mais substrato para o araquidônico e para os eicosanoides fabricados a partir dele. A dificuldade aparece quando esse argumento é testado direto. Ensaios controlados que aumentam o linoleico e depois medem marcadores inflamatórios no sangue em geral não encontraram o aumento consistente que o mecanismo previa. Análises agrupadas de dados alimentares de longo prazo em geral não associaram consumo maior de linoleico a piores desfechos cardiovasculares, e várias apontaram na direção oposta. Órgãos que escrevem guias alimentares revisaram a mesma evidência e não concluíram que seja preciso restringir.

O que continua realmente em aberto é mais específico. O consumo desses óleos cresceu muito no último século, uma mudança sem registro observacional longo. Óleo reaquecido muitas vezes na fritadeira gera produtos de oxidação que são um assunto diferente do ácido graxo em si. E quase nada disso foi testado contra o desfecho que interessa a você, que é como você se sente no dia a dia. "Não está demonstrado que faz mal" não é o mesmo que "está demonstrado que é seguro", e quem vende qualquer uma das duas frases com convicção está andando na frente da evidência.

Ponto de fumaça é outro eixo

Ponto de fumaça e ômega-6 são colunas independentes, e misturar as duas é comum. O refino eleva o ponto de fumaça de quase qualquer óleo, então um girassol refinado aguenta mais calor que um azeite extravirgem carregando seis vezes mais ômega-6. Ao mesmo tempo, gorduras poli-insaturadas oxidam com mais facilidade em aquecimento longo, em garrafa transparente ou no armário quente em cima do fogão, e nada disso precisa chegar perto do ponto de fumaça. A comparação completa está no Cooking Oil Smoke Point Chart for 20 Oils.

A coluna que ninguém publica: quanto você come

Quinze gramas de óleo de semente de uva num molho de salada entregam cerca de dez gramas de ácido linoleico. Uma porção de pastel ou coxinha frita em óleo de soja pode entregar várias vezes isso sem aparecer em nenhum lugar onde você pensaria em olhar. Por isso a última coluna importa mais que a primeira: os óleos com a maior porcentagem quase sempre são os consumidos em menor quantidade, e os intermediários são usados a conchas.

A maior parte entra sem você servir. Maionese, molhos prontos, biscoito recheado, salgadinho, pão de forma, frituras de padaria e de lanchonete concentram o volume. No Brasil o rótulo geralmente nomeia o óleo, e as lupas pretas da rotulagem frontal sinalizam açúcar adicionado, gordura saturada e sódio em excesso, mas nenhuma delas diz nada sobre ômega-6. Se você quiser mexer nesse número em qualquer direção, a alavanca está na fritura e no vidro de molho, não na colher com que você refoga o feijão.

Por que a sua garrafa pode não bater com a tabela

Os números publicados são médias. Cultivar, clima, safra e refino deslocam os valores, e misturas são rotuladas com folga. A versão prensada a frio e a refinada da mesma semente podem diferir em vários gramas por 100 g. Trate cada linha como um valor típico com uma faixa real em volta, não como especificação, e considere ruído uma diferença de um dígito entre dois óleos. Guarde o vidro longe do fogão e da luz; a geladeira ajuda nos óleos delicados como linhaça. A semente de uva é o caso mais claro de óleo cuja fama corre na frente dos dados, destrinchado em Is Grapeseed Oil Healthy? The Omega-6 Question.

Como acompanhar isso no seu próprio registro

Se você quer saber se algo disso importa no seu caso, a resposta honesta é que uma tabela não consegue dizer. O NutriAI tira uma foto da refeição, estima o que tem no prato, dá uma nota em letra pelo potencial inflamatório estimado e deixa você registrar sintomas depois, mostrando possíveis padrões entre as duas coisas ao longo do tempo. O óleo é, com franqueza, a parte mais frágil dessa estimativa: uma foto não enxerga quanto óleo o refogado absorveu, e molhos são o item mais difícil de ler. A nota é uma estimativa feita com um critério constante, não uma medição; um padrão que aparece é uma correlação no seu próprio registro, não um diagnóstico; e o aplicativo não é um dispositivo médico. Usado assim, ao longo de semanas, ele responde algo que nenhuma tabela responde.

Em que isto se baseia

  • Bancos públicos de composição de alimentos que publicam perfis de ácidos graxos por 100 g de óleo
  • Ensaios controlados de alimentação que medem marcadores inflamatórios no sangue após mudança no ácido linoleico da dieta
  • Análises agrupadas de coortes observacionais sobre gorduras poli-insaturadas e desfechos cardiovasculares
  • Literatura de química de óleos sobre refino, determinação do ponto de fumaça e estabilidade oxidativa em reaquecimento
  • Normas brasileiras de rotulagem nutricional, incluindo a rotulagem nutricional frontal em lupa

Perguntas frequentes

Qual óleo de semente tem mais ômega-6?
O de cártamo alto linoleico costuma liderar, com cerca de 75 g de ácido linoleico por 100 g, seguido pelo de semente de uva com uns 70 e pelo girassol alto linoleico com uns 66. As versões alto oleico de girassol e cártamo ficam muito abaixo, então a palavra no rótulo pesa mais que a semente.
Óleo de soja faz mal por causa do ômega-6?
Não está demonstrado. O óleo de soja tem cerca de 51 g de linoleico por 100 g e também carrega ALA, e os ensaios controlados que aumentam o linoleico em geral não mostraram a alta de marcadores inflamatórios que o mecanismo previa. As perguntas abertas são mais sobre óleo reaproveitado muitas vezes em fritura do que sobre o óleo em si.
Qual óleo tem menos ômega-6?
O de coco, com cerca de 2 g por 100 g, embora seja quase todo gordura saturada. Entre os de uso mais amplo, o girassol alto oleico fica perto de 9, o azeite extravirgem perto de 10 e o de abacate perto de 13.
Óleo de canola é óleo de semente?
É. A canola vem da colza, então entra na categoria, mas a composição dela lembra mais o azeite que o cártamo: cerca de 19 gramas de linoleico, 63 de oleico e 9 de ALA por 100 g. É o exemplo mais claro de que o nome da categoria prevê muito pouco.
Vale trocar o óleo de soja por óleo de arroz ou azeite?
Trocar reduz o ômega-6 do que você põe na panela, mas isso mexe numa fatia pequena do total se a maior parte vem de fritura de rua e de produtos prontos. Se for trocar, olhe também o preço e o ponto de fumaça, e lembre que a evidência não sustenta tratar o óleo de soja como um vilão isolado.

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